O codiretor do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, Maurício Squarisi, defendeu a valorização do cinema autoral e ressaltou o papel das oficinas de formação no fortalecimento da produção audiovisual brasileira durante participação no programa Dualidade em Cena, da Rádio Valinhos FM.
Na entrevista, conduzida por Isaac Santos e Edgard Nascimento, Squarisi fez um balanço de sua trajetória e refletiu sobre a evolução da animação no Brasil, os impactos das políticas públicas para o setor cultural e a necessidade de ampliar o acesso do público a obras que ultrapassem o circuito comercial.
50 anos de experimentação e formação
Um dos destaques da conversa foi a trajetória do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, que completou 50 anos. O artista relembrou a importância do espaço como ambiente de experimentação e criação, onde diferentes linguagens artísticas puderam dialogar com o cinema.
Segundo Squarisi, o Núcleo não formou apenas animadores, mas também recebeu poetas, ceramistas e artistas de diversas áreas interessados em explorar as possibilidades da sétima arte. Ao recordar o início de sua carreira, no final da década de 1970, o cineasta destacou os desafios enfrentados por quem produzia animação em uma época sem os recursos tecnológicos disponíveis atualmente. Para ele, a paciência e a dedicação artesanal eram características essenciais para os animadores daquele período.
Durante o programa, Squarisi também comentou a relação entre a produção cultural e o cenário político, lembrando as dificuldades de financiamento enfrentadas ao longo dos anos e a importância dos mecanismos de incentivo, como os editais de fomento e o antigo Prêmio Estímulo.
Sobre o desenvolvimento da animação brasileira, avaliou que o setor “evoluiu bastante” nas últimas décadas. Ele apontou a criação da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), em 2003, como um momento importante para a organização e representação dos profissionais da área.
A defesa do cinema autoral e da produção independente
Ao falar sobre o papel do público, o animador fez um convite à curiosidade e à busca por produções independentes. Ele criticou a predominância de conteúdos comerciais na grande mídia e destacou que filmes autorais, poéticos e experimentais muitas vezes permanecem fora dos grandes espaços de divulgação.
“Vocês têm que cavar, procurar. Procurem nas mostras e festivais”, afirmou Squarisi, ao defender que os espectadores conheçam cineclubes, festivais e iniciativas independentes, locais onde, segundo ele, está uma parte essencial da riqueza da produção cultural brasileira.
Para o cineasta, a aproximação do público com diferentes formas de expressão audiovisual é fundamental para ampliar o olhar sobre o cinema e reconhecer a diversidade da produção nacional.
O episódio completo do Dualidade em Cena traz ainda reflexões do cineasta sobre nomes como Ziraldo e Millôr Fernandes, além de comentários sobre o cinema de animação canadense.
A entrevista está disponível no canal oficial do programa:




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