A trajetória de 50 anos do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas foi objeto da pesquisa de mestrado de João Pedro Felipe Silva, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp. O trabalho, intitulado “Núcleo de Cinema de Animação de Campinas: 50 Anos de Trajetória, Produção e Legado”, busca recuperar parte da história do Núcleo e analisar sua produção ao longo de cinco décadas.
Orientada pelo Prof. Dr. Marcius César Soares Freire, a pesquisa mapeia características, técnicas, narrativas e temáticas presentes nas obras do Núcleo, com atenção especial à trajetória de seus idealizadores, Wilson Lazaretti e Maurício Squarisi.
O estudo também estabelece uma comparação entre filmes coletivos e autorais para compreender como as produções exploram as possibilidades da linguagem da animação e se relacionam com os contextos cultural, histórico e social em que foram realizadas.
A defesa do mestrado marcou a conclusão de uma etapa importante para João. A banca foi formada pela Profa. Dra. Jennifer Serra e pelo Prof. Dr. Gilberto Sobrinho, além do orientador. Wilson Lazaretti e Maurício Squarisi também acompanharam a apresentação.
“A banca ressaltou a relevância da pesquisa ter como objeto o Núcleo de Cinema de Animação de Campinas e falar da sua trajetória nesses mais de 50 anos de atuação e existência”, afirma João.
Para o pesquisador, a presença dos dois fundadores durante a defesa tornou o momento especialmente significativo.
“A participação do Wilson Lazaretti (Wal) e do Maurício Squarisi durante a apresentação foi muito significativa. Isso foi evidenciado pelos membros da banca, pelo fato de serem o objeto de estudo e estarem presentes na defesa”, relata.
Um mergulho na história do Núcleo
Mesmo fazendo parte do Núcleo, inclusive ministrando oficinas com a equipe, João afirma que a pesquisa permitiu conhecer episódios e aspectos da trajetória dos fundadores que ainda não conhecia.
“Apesar de já ter um contato com o Núcleo, o Wal e o Maurício, conheci muitas outras experiências e momentos da vida deles e de suas produções, tanto através das matérias do site do Núcleo e passagens em livros e algumas pesquisas quanto a partir de entrevistas e conversas com a dupla”, conta.
Entre as descobertas que mais chamaram sua atenção estão a dimensão da produção realizada pelo Núcleo, a quantidade de oficinas e animações desenvolvidas ao longo dos anos e as experiências em diferentes regiões do país.
A pesquisa também recuperou passagens relacionadas à presença do Núcleo no Pantanal e na Amazônia, às homenagens recebidas em festivais como o Anima Mundi e a Monstra, além de projetos e parcerias estabelecidos no Brasil e no exterior.
Outro aspecto que despertou o interesse do pesquisador foi a história da câmera Paillard Bolex, utilizada pelo Núcleo e adaptada com um motor de impressora matricial.
O processo também ampliou o repertório acadêmico de João sobre o cinema de animação e permitiu investigar as relações estabelecidas pelos fundadores do Núcleo com outros profissionais da área, músicos e instituições de ensino, como a própria Unicamp.
“Pude também ter contato com leituras e autores do cinema de animação que ainda não conhecia ou nem tinha lido”, explica.
ExperimentAnima amplia circulação da pesquisa
Depois da defesa, a pesquisa ganhou um novo desdobramento com a participação de João no ExperimentAnima. O trabalho foi apresentado na mesa “História, Circulação e Preservação da Animação.
A apresentação permitiu levar parte dos resultados do mestrado a um público interessado na pesquisa e na preservação da memória da animação brasileira.
João já havia participado de edições anteriores do evento e considera o ExperimentAnima um espaço importante para aproximar pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes regiões.
“É um evento muito importante para a área da animação, especialmente para as pesquisas relacionadas à animação. Ele apresenta uma grande diversidade de temas e mesas de conversa, incluindo diferentes participantes de forma virtual”, afirma.
Segundo o pesquisador, questões presentes no evento também dialogam diretamente com seu estudo, como a preservação da memória da animação brasileira, a relação entre animação e educação e a experimentação.
“Desejo compartilhar os achados da minha pesquisa, ligados ao papel e à produção do Núcleo, dando visibilidade para o trabalho e reforçar a sua importância para a história e memória da animação brasileira”, explica.
Pesquisa terá novos desdobramentos
A conclusão do mestrado não encerra o trabalho de investigação. João pretende incorporar ao texto as contribuições feitas pela banca e depositar a pesquisa no repositório da Unicamp, permitindo o acesso de pesquisadores e interessados na trajetória do Núcleo.
Também estão previstos novos artigos e apresentações em eventos ligados ao cinema, ao campo dos Multimeios e à animação.
A experiência despertou ainda o interesse em continuar investigando a história da animação brasileira. Entre as possibilidades está a realização de um doutorado e a publicação de um livro dedicado ao Núcleo de Cinema de Animação de Campinas.
“Agora, além das oportunidades que os projetos do Núcleo me proporcionaram ao longo dos anos, nas oficinas e na produção de animações, tenho também aquelas ligadas à pesquisa acadêmica”, conta João.
A pesquisa amplia, assim, o registro sobre uma trajetória que atravessa cinco décadas e contribui para documentar a atuação do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas na produção, formação e preservação da memória da animação brasileira.
É possível assistir à participação de João Pedro no ExperimentAnima pelo canal do evento no YouTube.




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